Outro dia, estava assistindo o Café TVCOM. Como de costume, o assunto era cultura. Quando falavam nas tais isenções de impostos para quem promove atividades culturais, surgiu o assunto da meia-entrada para estudantes e idosos em eventos culturais e esportivos.
Foi aí que eu comecei a analisar como funciona o benefício no nosso país. No momento em que estudantes e idosos deixam de pagar metade do ingresso, há um impacto na arrecadação de quem está oferecendo a atividade cultural ou esportiva. Mas alguém vai ter de pagar a conta, ou seja, o público comum. É simples: a arrecadação diminui, mas as despesas continuam as mesmas.
Então, as empresas aumentam o preço dos ingressos a preços absurdos a fim de não perder com a meia-entrada. Acontece que, dessa forma, a ideia de que o desconto ampliaria o acesso à cultura cai por terra. O cidadão que recebe um salário baixo não tem condições de ir com a família ao cinema, por exemplo. Com o dinheiro que gastaria com os ingressos (uma família de cinco pessoas gasta em torno de R$50, 00), dá para comprar a comida para a semana inteira ou pagar a conta da água, por exemplo.
A bergamota descascada: mais idosos e estudantes nos eventos culturais, menos trabalhadores. Sou totalmente a favor das isenções para estudantes e idosos; porém, acho que é preciso pensar em quem vai pagar a conta.




